terça-feira, 14 de outubro de 2008

"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta,
não há ninguem que explique e ninguem que não entenda"
Cecília Meireles.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A CULPA É SEMPRE DO OUTRO

“O essencial é não mentir, e antes de mais nada não se mentir.

Não se mentir sobre a vida, sobre nós mesmos, sobre a felicidade.”

André Comte-Sponville [Filósofo francês. A felicidade, desesperadamente.]

Sabemos que a vida não é fácil, mas torna-se mais complicada para quem faz corpo mole e procura sentar-se confortavelmente no banco do comodismo.

Na praia da vida, as marés nem sempre surgem brandas, pelo contrário, aparecem formando altas ondas que, com violência, saculejam as coisas e as pessoas que estão em seu caminho.

Mesmo enfrentando as dificuldades que a vida impõe, viver é descortinar, a cada dia, novos horizontes, aprender a lidar cada vez melhor com o inesperado e encontrar a coragem necessária para colocar a mão na massa.

Mas é muito comum nos depararmos com pessoas que o tempo todo joga para os outros a responsabilidade daquilo que dá errado em suas vidas. Preferem ancorar seus barcos vazios de propósitos em águas rasas, cantando a melodia da tristeza, e achando que são vítimas do destino, que só dá chibatadas e causa um sofrimento que parece não ter fim. E, nesse caminhar de lamentos, acusam seus semelhantes por seus fracassos, mas não assumem que precisam, urgentemente, rever seus conceitos, mudar sua prática e assumir os próprios atos.

É muito mais fácil atribuir a terceiros aquilo que não dá certo em nossas vidas. É preciso admitir que temos também uma grande parcela de culpa pelas coisas darem tão erradas; mas, por causa do orgulho, da teimosia, não damos o braço a torcer diante dos erros que cometemos e, por isso, não crescemos.

E, nesse jogo de empurra-empurra, vamos nos escorando, sempre que é possível, nas mais descabidas desculpas, já que é mais cômodo nos eximir dos embates que estão a nossa frente.

Não se trata, também, de defender a tese de que só nós somos os culpados por tudo o que acontece ao nosso redor, mas adotar uma postura realista diante dos fatos e saber identificar os reais motivos que estão relacionados à nossa prática, assumindo o comando de nossas ações e de suas conseqüências, sem atribuir a terceiros aquilo que nos cabe.

Só assim agiremos com consciência, não usando argumentos inadequados, que só induzem a culpar os outros pela nossa infelicidade.

Ninguém é perfeito e nunca será, mas ser honesto consigo mesmo e com os outros, ajuda a reparar os próprios erros e a seguir em frente, porque o que interessa mesmo é passar pela vida construindo pontes que nos permitam atravessar e conquistar nossa felicidade.

Ela não cai do céu para nós, mas é resultado de uma busca permanente, a partir de objetivos claros sobre aquilo que realmente vale a pena apostar todo o nosso empenho. Essa busca é passível de erros, mas saberemos identificá-los, corrigi-los e, sobretudo, assumi-los.

Ivo Lima

Escritor e professor de Filosofia

E-mail: ivolimasantos@yahoo.com.br

Muito bom esse texto, por isso estou colocando aqui...

bjos

ate a proxima